Em 1977, minha mãe exigiu do escrivão do cartório de registro civil na cidade de Batalha, sertão das Alagoas: "Registre-o assim: MAI + KEL. Faz com K no meio do nome para que não se atrapalhem na pronúncia".
O escrivão, solícito e ainda vivo, retrucou: "Minha senhora, o correto não seria Michael, com CH do jeito que escrevem os americanos?" Dona Maria, professora sempre em dia com as leituras, contestou o dono da caneta.
Ele abriu exceção: permitiu que minha mãe não só registrasse meu prenome do jeitinho sertajeno - ou na versão tupiniquim - como também a autorizou a preencher de próprio punho a certidão de nascimento.
Hoje, questionei dona Maria sobre a origem do meu prenome, adaptado segundo o entender do sertanejo alagoano. Respondeu-me que, na década de 1970, cantor Michael Jackson estava na crista da onda.
"Muitos pais homenagearam (o futuro Rei do Pop). Adaptaram seu nome ao linguajar brasileiro. Alguns, fiéis à gramática estrangeira, mantiveram a grafia original, mesmo que ninguém soubesse a pronúncia correta", justificou.
E emendou: "Só pronunciavam MiXel, MiXael. Aí, pensei que o correto seria escrever seu nome do jeito que se pronuncia: Mai...kel!", explicou. E mesmo assim, há quem ainda não saiba pronunciar corretamente meu nome.
Detalhe: Mai...kel deu o primeiro grito em Caruaru, terra do forró. Depois, morou em Santana do Ipanema, onde ouviu primeiro a canção Yesterday (The Beatles) para em seguida tomar conhecimento do xará famosíssimo. |