Maikel Marques
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Caruaru (PE) - O maior centro de artes figurativas das Américas está pertinho de Maceió. Chama-se Alto do Moura. É de lá que vêm muitas das peças comercializadas na Feirinha do Artesanado da Pajuçara, em Maceió.
Isso mesmo! Peças padronizadas são produzidas por centenas de artesãos e enviadas diariamente às capitais nordestinas contendo inscrições alusivas ao local visitado pelo turista comprador da arte caruaruense.
O Alto do Moura, situado a pouco mais de 7 quilômetros do Centro de Caruaru, ganhou notoriedade graças ao talento dos escultores Vitalino e Galdino, que levaram a arte local aos quatro cantos do Brasil e ao exterior.
No Museu do Forró, encantei-me com as histórias contadas na ala dedicada aos dois criadores. O guia turístico me afirmou que "Vitalino era considerado o Pelé das esculturas em barro".
Fui, então ao Alto do Moura, visitar a residêcia onde idealizava e criava suas peças, que retratavam - e ainda retratam - o cotidiano do homem sertanejo. Lá, encontrei seu herdeiro, Severino Vitalino.
"Teu pai era o pelé das artes figurativas?", questionei. "Era o Garricha porque Garrincha jogava mais do que Pelé. Digo isso porque o vi bailar pelos gramados brasileiros", respondeu-me.
Aos 71 anos - e às vésperas da comemoração alusiva aos 49 anos da morte de seu pai - Severino Pereira dos Santos (nome de batismo) contou ao Blog um pouco da sua história e da do seu criador.
"A principal peça fabricada por meu pai se chama O caçador de gato maracajá. É muita conhecida", explicou ao Blog o artesão que se iniciou na arte de moldar o barro quando tinha apenas sete anos.
"Via papai trabalhando e comecei a imitá-lo", acrescentou, enquanto trabalhava na montagem de peça retratando a pega de boi. "É encomenda de cliente. Não trabalho com atravessadores", avisou.
Simpaticíssimo, Severino ostenta com muito orgulho imagens da presidente Dilma Roussef em visita ao museu montado na casa onde viveu seu pai e onde estão expostas algumas de suas ferramentas de trabalho.
Da Casa do Mestre Vitalino, desloquei-me ladeira abaixo rumo ao museu que expõe algumas da peças de outro mestre, Galdino. Fui muito bem recebido pelo seu filho e herdeiro artístico, Joel Galdino.
Água, barro e surrealismo no Nordeste
"Papai seguia um estilo variado, surreal até. Além de retratar cenários locais, criava peças baseadas em temas mitológicos, históricos, religiosos", contou. Uma delas é a imagem de São Francisco travestido de cangaceiro.
Galdino - explicou-se seu filho - já tinha reconhecimento regional quando viajou ao Sudeste e ouviu de um crítico de arte a provocação de que não criava nada original, diferente do que expunha na ocasião.
Agoniado com a crítica do "especialista", abriu um caixote dentro do qual havia barro extraído de riacho em Caruaru. Pediu água e começou a moldar a peça que lhe garantiria notoriedade: o Mané Pãozeiro.
Ao contrário de Severino, Joel cria peças e também as repassa aos atravessadores de todo o Nordeste. Muitas das "criações" são reproduções idênticas daquelas imaginadas e criadas pelo mestre Galdino.
"Também crio minhas próprias peças", avisou o artista que também aprendeu o ofício observando o trabalho do pai, numa época em que o Alto do Mora não passava de caminho para Campina Grande (PB).
Manutenção da história com amplo apoio oficial
Os dois museus foram projetados com amplo e irrestrito apoio da Prefeitura de Caruaru e Governo de Pernambuco, que dão apoio logístico e monetário aos mantenedores.
E não poderia ser diferente. No rastro do legado dos amigos Vitalino e Galdino, o Alto do Mouro segue atraindo milhares de visitantes e milhares de reais que aquecem os rendimentos de quem vive apenas de arte.
Em ritmo de férias!
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